A LUTA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO
EM MEIO À CRISE DO CAPITAL: Um balanço de 2011 e expectativas para 2012.
Iniciamos
o ano de 2012 com muitas lutas pendentes e outras a avançar em relação à
educação do país. Isso decorre do fato de que 2011 foi marcado por levantes
populares e mobilizações em diversas partes do país e do mundo, e dentre estas
muitas referentes a pautas educacionais. Tal afluxo sinaliza para uma
possibilidade histórica de avanço na organização e experiência de luta popular.
Para compreendermos estes acontecimentos, e continuar nos inserindo neles de
forma ativa e organizada, precisamos analisar a conjuntura que os possibilitou.
A Crise capitalista se alastra e o mundo
se levanta
Em
nível internacional, o agravamento da crise econômica capitalista manifestada
em diversos países, sobretudo nas potências, criou o cenário para que se
desmistificasse duas falácias da ideologia dominante: 1º) a utopia do
modelo neoliberal e do capitalismo globalizado; 2) o fim da luta de classes,
pois, já que o melhor regime social tinha “vencido” e se globalizado, com sua
“democracia” parlamentar e economia de mercado eficiente, haveria uma nova era
mais justa e racional. No discurso oficial parecia não haver sentido lutar por
outro modelo de sociedade: teríamos chegado assim ao fim da história, segundo
estas teses.
Ora,
durante todo o ano de 2011 o povo se levantou contra a ditadura do capital, em
sua versão financeira e seus organismos internacionais (FMI, Banco Mundial
etc.), e dos seus Estados-governos, que vem impondo graves limitações à vida da
classe trabalhadora, principalmente suas frações marginalizadas, para a
manutenção do acúmulo e da expansão do capital frente às necessidades da
maioria da humanidade. Independente das limitações e possíveis concepções
errôneos de vários desses movimentos que se levantaram em 2011, podemos
levá-los em consideração como um marco de ilegitimidade e limitação do
sistema capitalista. Na Europa, tivemos greves gerais massificadas (como no
caso emblemático da Grécia, Espanha e Portugal) e muita combatividade nas ruas
do velho continente, não só por parte dos trabalhadores, mas também dos
estudantes, aposentados, desempregados, imigrantes. Em todo o mundo, tivemos
movimentos de ocupações de cidades (occupy together) questionando o
neoliberalismo e suas implicações sociais, com destaque para a cidade de NY
(wall street). No Oriente Médio, tivemos mobilizações de massa contra regimes
políticos e agressões imperialistas.
Na
educação tivemos dois exemplos memoráveis de lutas estudantis contra a
privatização e a precarização da educação na América Latina que nos servem de
lição: Chile e Colômbia. No Chile, um movimento de massas iniciada por estudantes
secundaristas e universitários em todo o país lutavam centralmente contra a
mercantilização da educação. O método combativo dos estudantes (greves,
manifestações, piquetes, ocupações de instituições, enfrentamento contra as
forças repressivas etc.) mobilizou também os trabalhadores e outros setores
sociais contra o governo e a educação neoliberal, possibilitando greves gerais
e atos com mais de meio milhão de pessoas. Na Colômbia, os estudantes
bloquearam nas ruas uma reforma universitária semelhante à brasileira que
buscava reformar o ensino superior segundo os moldes impostos pelo imperialismo
(Banco Mundial, FMI etc.).
Brasil: 1º ano de Dilma/Temer, hegemonia
governista... derrota para os trabalhadores
Apesar
do Brasil ainda não ter sido atingido de maneira brusca pela crise mundial que
se alastra, e a conjuntura econômica e política não chegar a níveis tão
alarmantes, mesmo com casos absurdos de corrupção e o histórico corte
orçamentário da união de 50 bi (3bi só na educação), a situação da classe
trabalhadora brasileira não é algo a se comemorar. Com a reeleição do PT/PMDB
para o governo central do país, o modelo neoliberal continua vigente e a se
desenvolver. O recém aprovado Orçamento Público da União de 2012 (com mais de
40% das verbas destinadas ao pagamento de juros da dívida para os
capitalistas), aprovado no legislativo, é uma prova cabal da continuidade da
política de classe subordinada ao imperialismo do atual governo, também
presente em Lula. O modelo desenvolvimentista nacional (burguês) se impulsiona
com a proximidade dos mega-eventos (copa, olimpíadas) e tornam nítidas e mais
agudas as contradições, e por isso mesmo, explodem as lutas e levantes,
espontâneas ou não, nos setores de moradia, transporte, do trabalho, e também
amplia a todo tipo de repressão do Estado contra os pobres e lutadores. Da
mesma forma, as áreas de educação e saúde continuam precárias, com baixo
investimento público e cada vez mais privatizadas.
A reeleição petista acompanha a hegemonia dos partidos da base governista nos movimentos populares, sindicais e estudantis que, legitimando a política do governo no interior de nossas organizações, impõe uma séria limitação ao movimento de massas em dar resposta contundente e global aos inúmeros e fragmentados ataques. O papel realizado pelas direções e entidades governistas e reformistas (CUT, CTB, UNE etc.) é funesto e em grande medida responsável pela imobilização das massas, e continua sendo um dever da classe trabalhadora derrotar essas burocracias que não servem e nem representam os trabalhadores e estudantes, mas sim o governo e os empresários.
E a educação no Brasil? Os novos ataques
neoliberais e o movimento estudantil e docente
Frente
ao quadro lastimável da educação brasileira, que caminha cada vez mais para a
privatização, tivemos em 2011 muitas lutas no âmbito estudantil (inúmeras
ocupações de reitorias, manifestações pelo passe livre, contra o aumento de
tarifas etc.) e também no âmbito dos trabalhadores da educação: greves de
professores, servidores etc., já analisadas pela RECC em outros comunicados. À
época, e continuamos a frisar, defendemos a CONSTRUÇÃO DE UMA GREVE GERAL NA
EDUCAÇÃO, entendendo que os ataques fragmentados à educação (não pagamento de
piso salarial, congelamento salarial, precariedades no estudo e trabalho,
retirada de direitos, terceirizações, perseguições políticas e aumento da
repressão) fazem parte de uma política global que só vem se agravando. O novo
PNE do governo ainda em tramitação, defendido pela UNE, é um exemplo claro da
política educacional neoliberal em nível macro, que abarca professores,
servidores, estudantes de diversos níveis de ensino. Temos ciência de que
fragmentar as resistências dos trabalhadores e estudantes, aliando-se ao
governo, é o caminho para a derrota. Ao contrário, só uma resposta conjunta
poderia trazer vitórias em longo prazo e efetivas.
Mas
não foi esse caminho seguido pelas lutas. O corporativismo, o legalismo, e o
burocratismo das direções impuseram aos setores da educação muitas derrotas e
pequenas vitórias efetivas. Em nível nacional temos a continuidade da aprovação
do novo PNE que promete abrir cada vez mais espaço para o setor privado,
inclusive com financiamento público. A MP 520 foi aprovada e logo a Empresa
Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) estará em ação, simbolizando uma
gigantesca derrota para o setor docente, sindical e estudantil. Esta empresa, uma grande “fundação” de
direito privado, abrirá os Hospitais Universitários de todo o país para
convênios privados, dará continuidade à contratação flexibilizada e precarizada
de servidores além de gerir pólos de pesquisa, ensino e extensão públicos que
são os Hu’s.
Que fazer? Para onde ir em 2012?
O
ano de 2012 não promete mudanças para melhor ao povo brasileiro e mundial por
parte do capital internacional e dos Estados. A continuidade das políticas
neoliberais e de austeridade possuem consequências drásticas para a classe
trabalhadora, assim como as ameaças imperialistas que se ampliam. Caso uma
resposta não seja dado em cada âmbito (local, nacional e internacional), pouco
se pode esperar de vitórias. Mas para isso, é necessário um processo de
reorganização a nível de massas que rompam com os governos e as burocracias e
partidos reformistas.
A
RECC se propõe, enquanto corrente do Movimento Estudantil brasileiro,
reorganizar pela base o estudantado sob novos eixos, opostas às concepções e
direções governistas e para-governistas que atualmente o hegemonizam.
Guiando-se pelos princípios do classismo, anti-parlamentarismo e
anti-eleitoralismo, ação direta, independência frente a partidos, governos e
empresas, e democracia de base, a RECC vem se construindo e crescendo pouco a
pouco mas firmemente por quase 3 anos nos nosso locais de estudo. Acreditamos
que está provado pela prática, o quanto o modelo organizacional burocrático e
eleitoreiro/parlamentar são incapazes de servir de instrumento de luta para os
estudantes de origem proletária para tirarmos a educação das mãos dos
capitalistas e colocá-la a serviço dos trabalhadores e de nossa causa, numa
aliança que só trará vitória e mais força para aplacar os inimigos. Da mesma
forma, não demonstram sucesso as linhas políticas orientadas pelo
policlassismo, estes sintetizados pela ultra-governista UNE – entidade esta que
a ANEL insiste em reclamar aliança.
A
RECC também integra o pró-Fórum Nacional de Oposição Pela Base, embrião
classista de trabalhadores do campo e da cidade, estudantes, assim como de
setores oprimidos (negros, mulheres, lgbt etc.) que lutam pela construção de
uma Central de Classe. Esta teria o objetivo de unificar todas as lutas hoje
fragmentadas pelas centrais pelegas e governistas, que dirigem o movimento
sindical e popular, afrouxando nossa resistência frente à burguesia.
Convidamos
todos/as a construir conosco um grande pólo anti-governista capaz de resistir
ativamente aos ataques do capitalismo e de seu Estado que estão por vir em
2012! Convocamos os estudantes e lutadores do povo a juntar-se a nós,
organizando-se em cada local de estudo e trabalho pelo Brasil a fora, em cada
luta específica ou geral, aplicando os princípios e práticas que rompam
com o governismo, legalismo e corporativismo. Só nos unindo pela base e pelas lutas
de fato conseguiremos reverter essa situação, nos solidarizarmos de maneira
efetiva com as lutas internacionais e alcançar, de pequena vitória à pequena
vitória, grandes conquistas. Avante!
VAMOS UNIFICADOS À REVOLUÇÃO!
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