TEMPOS PÓS-MODERNOS E A REVOLUÇÃO DO
MAGISTÉRIO: Devemos valorizar e fortalecer a nossa luta? Ou fugir será o melhor
caminho?
“Não
basta que exista educação para que um povo tenha seu destino garantido. É
preciso determinar o teor educacional para que se saiba em que direção está
caminhando ou deixando de caminhar uma nação”.
ARDUINI,
1975.
A nossa categoria tem um lindo histórico de lutas e
conquistas no sentido de que seja garantido e respeitado os nossos direitos.
Sabemos que, infelizmente, a educação
não é e nunca foi prioridade em nenhum governo, em nenhum momento de nossa
história. Portanto, vale enfatizar que todas as conquistas alcançadas pelos
educadores e pelas educadoras no Amapá são frutos única e exclusivamente da luta
desta categoria que com sua força, bravura e sabedoria, sempre defendeu seus
objetivos.
O governador
de nosso estado mais uma vez ataca nossa categoria utilizando-se dos mais
variados meios de divulgação, distorce
os fatos não apresenta o detalhamento da folha do magistério para a
avaliação do real impacto do pagamento do Piso e resume seu discurso simplista afirmando que já deu o limite de aumento
para este ano e que nós somos os insensíveis que não queremos aceitar.
Ora, companheiras e companheiros
nós como educadores e educadoras,
politizados e politizadas que certamente somos, sabemos que práticas nacionalistas,
meramente emocionais de amor e respeito ao estado na figura de seu
representante maior - o governador, são práticas importadas de um passado
obscuro dos governos autoritários e populistas da ditadura militar que tanta
violência disseminou e tanto atraso causou a educação no Brasil e isso não nos
cabe aceitar.
Estimados companheiros e estimadas companheiras,
apesar dos que estão no poder ignorarem o fato e, principalmente, a nossa
sabedoria, já faz alguns anos que vivemos a construção de uma sociedade
democrática em nosso país. Vale ressaltar, que a democracia autêntica
exige alguns aspectos fundamentais em sua práxis, tais como: racionalização,
(com) criticidade e (para) liberdade. E nós educadoras e educadores que somos
atores sociais imprescindíveis na construção de uma sociedade onde as pessoas
sejam prioridades, devemos por coerência
nos posicionar sempre contra as desigualdades, contra a corrupção que hodiernamente está hiante em nosso estado, e com isso sempre nos
posicionar a favor da edificação de uma sociedade mais equânime.
Essa
igualdade deve ter como precursora a “Revolução do Magistério” e, a greve
de nossa categoria, ainda criticada por uns, mas elogiada por muitos, traz a
tona, no mínimo, uma grande reflexão e ao mesmo tempo uma enorme lição, na qual
temos que elucubrar. Em um país, reconhecidamente, em pleno desenvolvimento,
onde deputados e senadores recebem uma fortuna, impossível entender, como nós educadores
e educadoras ganhamos tão mal. Nós docentes exercemos nossa atividade, depois
de um longo preparo, de um saber especializado, adquirido depois de processo de
aprendizagem, que permite preparar as crianças, os jovens e adultos em todas suas
etapas, capacitando de forma a enfrentar a vida, o trabalho, a sobrevivência e formando
também novos mestres.
A
docência, o magistério, como atividade profissional exige uma formação continuada,
para que os resultados sejam promissores, no entanto, somos mal pagos e não
temos o reconhecimento há muito desejado, implicando na falta dos recursos
financeiros necessários para a ampliação de tal formação. Pensamos, refletimos,
sim! Sobre os prejuízos, em termos imediatos, sofridos pelos nossos discentes,
mas a nossa situação de desvalorização em geral, é muito grave e o nível de
insatisfação de nossa categoria só tem aumentado, e a grande parcela da
sociedade que sabe avaliar o papel importante dos mestres, também, se mostra a
favor de nossa luta.
Se não vejamos, o salário mínimo do professor brasileiro, segundo os “acordos” impostos à classe, está na ordem de
R$ 1.451,00, para um trabalho de 40 horas, enquanto Deputados e Senadores passaram a receber já em 2011 um teto de R$ 26.700,00. Ano passado, os parlamentares tiveram um aumento de
61,8%, e os trabalhadores em geral 5,9%, este ano o salário mínimo é de R$
622,00 e os educadores este ano, da rede estadual, receberam depois de
paralisarem suas atividades uma proposta
rebaixada de apenas 8% + 7% = 15,56%, deixando-nos com um percentual que não atinge nem a metade do que precisamos
para atingir o PISO, haja vista que este ano seria necessário 33,7% para atingirmos o PISO NACIONAL. Como se não
bastasse isto tudo, este ano as escolas estão SEM DINHEIRO PARA MANUNTENÇÃO E MERENDA, e isto o governo não divulga e ainda, obriga
os gestores a adquirirem um endividamento para que as aulas aconteçam de
qualquer maneira.
Nós
educadores e educadoras temos que estar vigilante a tudo isto, pois, é importante
lembrar o desvio do dinheiro da merenda escolar, em vários municípios
brasileiros, como foi divulgado pelo Fantástico, em 2011, pois nós bem sabemos
que a criança com fome não aprende, e para piorar o quadro, na certeza de
impunidade, os políticos corruptos continuam com práticas que vão de encontro
com os anseios da sociedade, que, desgraçadamente como o eleitor “não tem
memória”, continua votando nesses mesmos corruptos que se revezam no poder em
nosso estado.
Diante de todo esse cenário, devemos
ficar extremamente preocupados e alertas, pois os chamados representantes do povo,
como delegados da população, não têm a mínima noção da educação e/ou não a
valorizam nem de perto como deveriam. A nossa
greve, a greve dos educadores e das educadoras desse estado, precisa ser
entendida como um movimento necessário, até para os eleitores não cometerem
o erro de reeleger os parlamentares,
que nos envergonham e atentam contra a verdadeira
democracia e a educação de qualidade.
Em tempos pós-modernos, vivemos,
quem sabe, sem qualquer exagero, ‘UMA
REVOLUÇÃO DO MAGISTÉRIO’. Importante que se compare, até, com a situação da
França no século XVIII, que vivia uma extrema injustiça social, em seu antigo
regime absolutista e com a sua revolução, derrubou todos os privilégios e
conceitos daquela sociedade, dando ao mundo e não só aos franceses, uma nova
situação social. Foi um marco na história moderna, trazendo direitos sociais
que passaram a ser respeitados, consagrando os direitos do homem e do cidadão.
Portanto, A greve dos educadores e das educadoras do Amapá, é antes de tudo um movimento
pelo qual, esperamos chamar a atenção da
sociedade amapaense para o
descontentamento da nossa categoria, com a política governamental, que desvaloriza o magistério e secundariza a
educação em nosso estado. Os professores precisam, antes de tudo, de salários decentes e os nossos discentes de uma escola estruturada
que tenha profissionais motivados,
qualificados com sua formação
continuada garantida, tudo isto de maneira autônoma, livre, independente e REVOLUCIONÁRIA.
“A
todas e a todos que, fazendo a escola (...), da limpeza do chão à reflexão
teórica, deixaram claro que mudar é difícil, mas é possível e urgente”.
Paulo
Freire, primavera de 1991.
Autoria: Ananin-tucujú – O filósofo da
vida.
Realmente o que precisamos são de políticas públicas que realmente priorizem a educação, pois, só assim transformaremos a nossa sociedade..., mas o que percebemos são políticas de "tapa buraco" ou pior ainda, de ataques aos professores... Kely
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