sábado, 28 de abril de 2012

A REVOLUÇÃO DO MAGISTÉRIO !


TEMPOS PÓS-MODERNOS E A REVOLUÇÃO DO MAGISTÉRIO: Devemos valorizar e fortalecer a nossa luta? Ou fugir será o melhor caminho?

   “Não basta que exista educação para que um povo tenha seu destino garantido. É preciso determinar o teor educacional para que se saiba em que direção está caminhando ou deixando de caminhar uma nação”.
                                                                                ARDUINI, 1975.

              A nossa categoria tem um lindo histórico de lutas e conquistas no sentido de que seja garantido e respeitado os nossos direitos. Sabemos que, infelizmente, a educação não é e nunca foi prioridade em nenhum governo, em nenhum momento de nossa história. Portanto, vale enfatizar que todas as conquistas alcançadas pelos educadores e pelas educadoras no Amapá são frutos única e exclusivamente da luta desta categoria que com sua força, bravura e sabedoria, sempre defendeu seus objetivos.
              O governador de nosso estado mais uma vez ataca nossa categoria utilizando-se dos mais variados meios de divulgação, distorce os fatos não apresenta o detalhamento da folha do magistério para a avaliação do real impacto do pagamento do Piso e resume seu discurso simplista afirmando que já deu o limite de aumento para este ano e que nós somos os insensíveis que não queremos aceitar.    
              Ora, companheiras e companheiros nós como educadores e educadoras, politizados e politizadas que certamente somos, sabemos que práticas nacionalistas, meramente emocionais de amor e respeito ao estado na figura de seu representante maior - o governador, são práticas importadas de um passado obscuro dos governos autoritários e populistas da ditadura militar que tanta violência disseminou e tanto atraso causou a educação no Brasil e isso não nos cabe aceitar.
              Estimados companheiros e estimadas companheiras, apesar dos que estão no poder ignorarem o fato e, principalmente, a nossa sabedoria, já faz alguns anos que vivemos a construção de uma sociedade democrática em nosso país. Vale ressaltar, que a democracia autêntica exige alguns aspectos fundamentais em sua práxis, tais como: racionalização, (com) criticidade e (para) liberdade. E nós educadoras e educadores que somos atores sociais imprescindíveis na construção de uma sociedade onde as pessoas sejam prioridades, devemos por coerência nos posicionar sempre contra as desigualdades, contra a corrupção que hodiernamente está hiante em nosso estado, e com isso sempre nos posicionar a favor da edificação de uma sociedade mais equânime.
              Essa igualdade deve ter como precursora a “Revolução do Magistério” e, a greve de nossa categoria, ainda criticada por uns, mas elogiada por muitos, traz a tona, no mínimo, uma grande reflexão e ao mesmo tempo uma enorme lição, na qual temos que elucubrar. Em um país, reconhecidamente, em pleno desenvolvimento, onde deputados e senadores recebem uma fortuna, impossível entender, como nós educadores e educadoras ganhamos tão mal. Nós docentes exercemos nossa atividade, depois de um longo preparo, de um saber especializado, adquirido depois de processo de aprendizagem, que permite preparar as crianças, os jovens e adultos em todas suas etapas, capacitando de forma a enfrentar a vida, o trabalho, a sobrevivência e formando também novos mestres.
              A docência, o magistério, como atividade profissional exige uma formação continuada, para que os resultados sejam promissores, no entanto, somos mal pagos e não temos o reconhecimento há muito desejado, implicando na falta dos recursos financeiros necessários para a ampliação de tal formação. Pensamos, refletimos, sim! Sobre os prejuízos, em termos imediatos, sofridos pelos nossos discentes, mas a nossa situação de desvalorização em geral, é muito grave e o nível de insatisfação de nossa categoria só tem aumentado, e a grande parcela da sociedade que sabe avaliar o papel importante dos mestres, também, se mostra a favor de nossa luta.
              Se não vejamos, o salário mínimo do professor brasileiro, segundo os “acordos” impostos à classe, está na ordem de R$ 1.451,00, para um trabalho de 40 horas, enquanto Deputados e Senadores passaram a receber já em 2011 um teto de R$ 26.700,00. Ano passado, os parlamentares tiveram um aumento de 61,8%, e os trabalhadores em geral 5,9%, este ano o salário mínimo é de R$ 622,00 e os educadores este ano, da rede estadual, receberam depois de paralisarem suas atividades uma proposta rebaixada de apenas 8% + 7% = 15,56%, deixando-nos com um percentual que não atinge nem a metade do que precisamos para atingir o PISO, haja vista que este ano seria necessário 33,7% para atingirmos o PISO NACIONAL. Como se não bastasse isto tudo, este ano as escolas estão SEM DINHEIRO PARA MANUNTENÇÃO E MERENDA, e isto o governo não divulga e ainda, obriga os gestores a adquirirem um endividamento para que as aulas aconteçam de qualquer maneira.
              Nós educadores e educadoras temos que estar vigilante a tudo isto, pois, é importante lembrar o desvio do dinheiro da merenda escolar, em vários municípios brasileiros, como foi divulgado pelo Fantástico, em 2011, pois nós bem sabemos que a criança com fome não aprende, e para piorar o quadro, na certeza de impunidade, os políticos corruptos continuam com práticas que vão de encontro com os anseios da sociedade, que, desgraçadamente como o eleitor “não tem memória”, continua votando nesses mesmos corruptos que se revezam no poder em nosso estado.
              Diante de todo esse cenário, devemos ficar extremamente preocupados e alertas, pois os chamados representantes do povo, como delegados da população, não têm a mínima noção da educação e/ou não a valorizam nem de perto como deveriam. A nossa greve, a greve dos educadores e das educadoras desse estado, precisa ser entendida como um movimento necessário, até para os eleitores não cometerem o erro de reeleger os parlamentares, que nos envergonham e atentam contra a verdadeira democracia e a educação de qualidade.
              Em tempos pós-modernos, vivemos, quem sabe, sem qualquer exagero, ‘UMA REVOLUÇÃO DO MAGISTÉRIO’. Importante que se compare, até, com a situação da França no século XVIII, que vivia uma extrema injustiça social, em seu antigo regime absolutista e com a sua revolução, derrubou todos os privilégios e conceitos daquela sociedade, dando ao mundo e não só aos franceses, uma nova situação social. Foi um marco na história moderna, trazendo direitos sociais que passaram a ser respeitados, consagrando os direitos do homem e do cidadão. Portanto, A greve dos educadores e das educadoras do Amapá, é antes de tudo um movimento pelo qual, esperamos chamar a atenção da sociedade amapaense para o descontentamento da nossa categoria, com a política governamental, que desvaloriza o magistério e secundariza a educação em nosso estado. Os professores precisam, antes de tudo, de salários decentes e os nossos discentes de uma escola estruturada que tenha profissionais motivados, qualificados com sua formação continuada garantida, tudo isto de maneira autônoma, livre, independente e REVOLUCIONÁRIA.
“A todas e a todos que, fazendo a escola (...), da limpeza do chão à reflexão teórica, deixaram claro que mudar é difícil, mas é possível e urgente”.
                                                                                                
                                           Paulo Freire, primavera de 1991.
Autoria: Ananin-tucujú – O filósofo da vida.

Um comentário:

  1. Realmente o que precisamos são de políticas públicas que realmente priorizem a educação, pois, só assim transformaremos a nossa sociedade..., mas o que percebemos são políticas de "tapa buraco" ou pior ainda, de ataques aos professores... Kely

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